Jogo responsável
O jogo a dinheiro é uma forma de entretenimento com custo esperado negativo. Dito sem rodeios: ao longo do tempo, a matemática favorece a casa em todos os jogos aqui descritos, e qualquer plano financeiro que dependa de ganhar está construído sobre areia. Esta página existe para que quem lê o resto do site tenha à mão o que fazer quando o jogo deixa de ser entretenimento.
Sinais de que algo mudou
O problema raramente começa com uma perda grande. Começa com mudanças pequenas no comportamento, e são essas que vale a pena reconhecer cedo. Apostar valores maiores para recuperar o que se perdeu — a chamada perseguição de perdas — é o sinal mais consistente de todos. Jogar mais tempo do que o previsto, com regularidade, é outro.
Há depois os sinais que envolvem outras pessoas: esconder quanto se joga, mentir sobre o assunto a quem vive com o próprio jogador, pedir dinheiro emprestado para jogar ou usar dinheiro destinado a despesas fixas. E há os sinais internos: irritação quando não se pode jogar, dificuldade em pensar noutra coisa, sono e apetite alterados. Nenhum destes é, isolado, uma sentença; vários deles em simultâneo são motivo para procurar apoio.
- Aumentar as apostas para recuperar perdas anteriores.
- Jogar durante mais tempo ou com mais dinheiro do que o planeado, repetidamente.
- Esconder a atividade de jogo de familiares ou amigos.
- Recorrer a crédito, empréstimos ou dinheiro de despesas essenciais.
- Sentir irritação, ansiedade ou inquietação quando não é possível jogar.
- Negligenciar trabalho, estudo, saúde ou relações por causa do jogo.
Ferramentas disponíveis na conta — e os seus limites
Do lado do operador existem limites de depósito, limites de perda, limites de sessão e autoexclusão, todos acionáveis a partir das definições da conta ou através do endereço de autoexclusão dedicado. São ferramentas úteis e devem ser usadas antes de serem necessárias. Definir um limite com a cabeça fria é muito diferente de o definir a meio de uma sessão má, e é nessa altura que a decisão se torna difícil.
É preciso, porém, ser exato quanto ao alcance: a autoexclusão disponível é ao nível da conta neste operador, que detém licença de Curaçao. Não tem qualquer ligação ao RAEJ, o registo nacional de autoexcluídos gerido em Portugal. Quem precise de uma barreira que abranja todo o mercado nacional tem de a pedir junto do SRIJ, e essa inscrição não é substituída por nenhuma definição de conta.
Onde obter apoio em Portugal
Existe apoio especializado, gratuito e confidencial, e recorrer a ele cedo é o que distingue um problema tratável de um problema instalado. O SICAD — Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências — é o organismo público de referência para comportamentos aditivos em Portugal, incluindo o jogo, e a sua Linha Vida responde de forma anónima. Os Centros de Respostas Integradas, distribuídos pelo país, dão apoio presencial através do Serviço Nacional de Saúde.
Para além destes, os Jogadores Anónimos mantêm grupos de entreajuda em várias cidades portuguesas. O formato é presencial e gratuito, e para muita gente funciona melhor do que uma consulta, porque a sala está cheia de pessoas que passaram pelo mesmo. Existem também linhas internacionais em língua inglesa com atendimento permanente, caso prefira um recurso fora do país.
- SICAD — organismo público para comportamentos aditivos: sicad.pt
- Linha Vida — SNS 24 — apoio telefónico anónimo sobre dependências.
- Centros de Respostas Integradas (CRI) — apoio presencial através do Serviço Nacional de Saúde, distribuídos pelo país.
- Jogadores Anónimos Portugal — grupos de entreajuda presenciais.
- Gambling Therapy — apoio internacional em linha: gamblingtherapy.org
- BeGambleAware — recursos e aconselhamento: begambleaware.org
Regras simples que funcionam
Decidir o valor antes de começar e tratá-lo como o custo de uma noite fora é a regra mais eficaz que existe, porque transforma a questão numa despesa e não numa aposta. Definir um tempo máximo e usar um alarme funciona pela mesma razão. Nunca jogar para recuperar, nunca jogar com dinheiro emprestado e nunca jogar sob efeito de álcool são as três proibições que evitam a maior parte dos danos.
E uma última, menos óbvia: falar do assunto com alguém. O jogo problemático prospera no silêncio, e dizer em voz alta quanto se jogou este mês é muitas vezes o primeiro passo que muda alguma coisa. Não é preciso ter um problema instalado para falar sobre o assunto.
O acesso a este site é destinado exclusivamente a maiores de 18 anos, e o seu conteúdo informativo — incluindo a comparação para Portugal — parte do princípio de que a decisão de jogar já foi tomada de forma consciente. Nada do que aqui está escrito é um convite a começar, e a informação existe para que quem já joga o faça com os números à frente. Quem não joga não tem aqui nada a ganhar.